About Bruno Miguel

Blogger, apreciador de cerveja e defensor do software livre, corre um sistema GNU/Linux de acordo com Stallman e sem quaisquer bugs - apenas com funcionalidades não desejadas.

Parem as Máquinas: o relato de uma estagiária, directamente das “trincheiras”

Antes de mais, quero começar por dizer que este post poderá parecer tendencioso. O projecto de que vos venho falar foi criado pela minha namorada, a Vanessa Quitério, por isso é provável que algumas coisas pareçam hiperbolizadas. Se tal acontecer, espero que percebam que me é difícil ser imparcial, estando tão orgulhoso e feliz por ela como estou.

A Vanessa Quitério é uma finalista do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC). Para concluir este curso tem que realizar um estágio curricular. Graças ao seu currículo, onde está o seu papel como editora da secção online do jornal universitário A Cabra, e grande potencial e paixão pela área, conseguiu um estágio na delegação do Porto do prestigiado Jornal PÚBLICO. Isto foi um motivo de orgulho, tanto para ela, como para mim e para a sua família.

Como devem saber, durante o estágio os estagiários têm que fazer um relatório. Como a Vanessa já tem alguma experiência e conhecimento da blogosfera, e gosta dos meandros do jornalismo na web, a sua amiga Ana Coelho sugeriu-lhe a criação de um blog para relatar o seu dia-a-dia e servir de relatório de estágio. A Vanessa gostou da ideia e decidiu criar um blog para esse efeito.

O nome escolhido para o blog foi Parem as Máquinas. Este nome surgiu depois de uma secção de brainstorming que eu e ela fizemos. Bem, o brainstorming foi todo meu; ela pediu-me ideias e esta foi uma delas. Pessoalmente, gosto do nome (e muito mais dela) – mas lá está, sou suspeito.

No Parem as Máquinas, a Vanessa relata o seu dia-a-dia como estagiária do PÚBLICO. Graças ao blog podem saber o que um estagiário sente na pele: os nervos, frustrações, feitos, aprendizagem, conselhos, marcos, objectivos e sonhos. Para além disso, é um bom guia para quem vai começar o seu estágio e quer ter uma ideia do que se vai passar e do que poderá sentir.

Sendo a Vanessa uma estudante de Comunicação Social, o conteúdo é mais direccionado para quem está na mesma área. Mas os estudantes doutros cursos também podem – e devem – beneficiar com este relato diário, directamente das “trincheiras”. As dicas do editor certamente não se aplicarão a um estagiário de enfermagem, por exemplo, mas as lições que se tiram, como o esforço e a atenção que se deve ter aos detalhes, sim. E também poderão ficar a saber que aquele nervoso miudinho antes do estágio, e que cresce à medida que a hora H se aproxima, é normal.

Este blog já recebeu a atenção de algumas pessoas e está a começar a ficar popular (para mim, merecidamente). O jornalista Alexandre Gamela já lhe fez menção no seu blog O Lago, e a RTPN também o fez na sua conta no Twitter. Mas isto não se fica por aqui. Recentemente, o seu blog foi incluído na lista de blogs convidados do Jornal PÚBLICO.

Mesmo que não sejam ou venham a ser estagiários, dêem uma visita no Parem as Máquinas. O projecto é muito interessante e permite-nos ter uma ideia daquilo que os estagiários passam durante esta fase tão importante, tanto no curso como no futuro profissional.

E desculpem se fui tendencioso, mas como querem que seja totalmente imparcial quando está em causa o trabalho de alguém que me é tão próximo?

Nota: este post foi inicialmente escrito por mim para o 2.0 Webmania. Aqui, republico-o, com alguns muito pequenos ajustes.

Contra o EULA do Songbird

O Songbird é um leitor porreiro, mas obriga os utilizadores a aceitarem um EULA para poderem usar os binários. Isto é o mesmo que a Mozilla fazia com o Firefox, até ter sido pressionada a removê-lo.

Qual é a necessidade de um EULA numa aplicação que se diz livre? Eu, pelo menos, não vejo nenhuma. Por isso, usei o getsatisfaction.com para pedir a remoção do EULA no Songbird. Vocês também podem fazê-lo, basta clicarem nesta link e pedirem a sua (do EULA) remoção. Se o número de pessoas a pedir a remoção for em número suficiente, podemos conseguir forçar a equipa do Songbird a retirá-lo.

Não EULAmos, não EULAmos, não EULAmos, não EULAmos. Utilizadores unidos já mais serão EULAdos.

Encontro de utilizadores do Ubuntu, em Lisboa

Na lista portuguesa do Ubuntu, o João Miguel Neves anunciou o próximo encontro de utilizadores do Ubuntu, que irá decorrer mais uma vez em Lisboa. Qualquer questão deve ser colocada na mailing list do Ubuntu e não aqui.

Segue-se o anúncio:

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008, 18h30 (3ª quinta-feira do mês)
Local: Sala de reuniões da Intraneia – R. Almirante Barroso, 54B
http://maps.google.com/maps/ms?msa=0&msid=110620717485280382518.00000112ff6b995b99718&ie=UTF8&z=17

Metro mais próximo: Picoas (Linha Amarela), Arroios (Linha Verde)
Estacionamento mais perto:
1) Na rua, os parquímetros são vigiados regularmente, pelo que costuma haver lugar.
2) Parque Fontana Parque Hotel na mesma rua.
3) Parque Spark na Av. Casal Ribeiro.
4) Parque do Centro Comercial Saldanha Residence.
5) Parque do Centro Comercial Atrium Saldanha.

Há autocarros, mas não me lembro os números. O Saldanha fica perto.

Há projector disponível para quem queira mostrar ou demonstrar qualquer coisa. Quem quiser trazer o seu computador para corrigir algum problemazinho relacionado com Ubuntu também será bem vindo.

À MAPiNET – porque não gostamos de meias verdades

Este artigo é da autoria de Marcos Marado, e representa a sua opinião sobre os assuntos aqui tratados. O artigo está aqui publicado segundo uma licença CC-BY PT.

Em resposta ao artigo sobre o movimento MAPiNET, publicado hoje no Público, tenho a dizer:

A pirataria na Internet, sobretudo de filmes e música, tem causado o encerramento de pequenas empresas e a perda “acentuada” de ganhos

Imensos estudos se têm debruçado sobre este tema, e nunca se conseguiu chegar a uma conclusão. Pelos vistos há um novo estudo que já consegue concluir que existem pequenas empresas que encerraram ou tiveram “perdas acentuadas” devido à pirataria na Internet. Dêm-me os dados. Apresentem provas.

Segundo Alexandre Bravo, os cinemas perderam um milhão de espectadores em 2008, ano em que também fecharam 300 clubes de vídeo. Já a venda de música passou a gerar menos 60 por cento de receitas e terão sido perdidos cerca de metade dos postos de trabalho no sector nos últimos anos. E até a indústria livreira “começa a sentir um bocadinho na pele” os efeitos dos downloads ilegais.

Demagogia. Até hoje, e mais uma vez, ainda nunca se conseguiu arranjar um estudo de aprovação consensual que conseguisse relacionar “downloads ilegais” com “diminuição de vendas e receitas”. Caso, mais uma vez, a MAPiNET tenha acesso a um novo estudo apresentando tal relação, que mo mostrem. Dêm-me os dados. Apresentem provas.

Paulo Santos, um dos porta-vozes do movimento antipirataria, criticou ainda o facto de a legislação portuguesa (desta feita através de um diploma que tem apenas quatro anos) classificar os dados de tráfego (informação que ajuda à identificação de um utilizador da Internet) como dados pessoais: “Confunde-se o conceito de meio com o conteúdo das comunicações.” Com esta legislação, argumenta, é “praticamente impossível” combater o download de ficheiros ilegais.

Caríssimo, os “dados de tráfego” são dados pessoais, visto serem relativos a comunicações privadas, tal como são os registos das chamadas telefónicas. Não queremos nem devemos ceder os nossos direitos, as nossas liberdades e a nossa privacidade.

Esta solução implica a colaboração dos fornecedores de acesso, que são normalmente acusados pelos defensores dos direitos de autor de não quererem restringir ou vigiar a utilização das ligações que vendem para não afastar clientes.

E porque afasta isso os clientes? Será porque as pessoas não querem ser vigiadas, não querem perder a sua privacidade?

Paulo Santos admitiu ainda que o sector vai ter de se adaptar aos tempos digitais, mas que essa mudança deve ser feita “naturalmente” e não por força da pirataria.

Não terá, por acaso, a pirataria aparecido “naturalmente”?


Em suma, acredito que:

  • A MAPiNET baseia-se em dados meramente especulativos, nunca os justificando com dados
  • A MAPiNET tenta passar a ideia de representar a “indústria da cultura”
  • A MAPiNET tenta ocultar o seu verdadeiro objectivo, , exposto anteriormente, de tentar com que a aprovação do Pacote Telecoms seja feito sem a emenda 138
  • A emenda 138 do Pacote Telecoms é fundamental para que os direitos consagrados pela Carta de Direitos Fundamentais da EU não sejam ignorados, como explicado neste apelo

Para que não fique nada por esclarecer, cito-vos a emenda 138 do Pacote Telecoms:

aplicando o princípio de que nenhuma restrição pode ser imposta nos direitos e nas liberdades dos utilizadores finais, notavelmente de acordo com o artigo 11 da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia sobre a liberdade de expressão e informação, sem decisão anterior por autoridades judiciais, excepto quando ditado por força maior ou pelos requisitos para a preervação da integridade e segurança da rede, e sujeito a provisões nacionais da lei criminal impostas por razões de política pública, segurança pública ou moral pública.

É isto que a MAPiNET quer retirar da Lei? O requisito de ser uma Autoridade Judicial a decidir em que casos os direitos e as liberdades dos cidadãos podem ser restritos? Eu digo NÃO.

Emenda 138: Tradução do template para envio aos MEPs portugueses

Depois do post publicado pelo Marcos Marado no Programas Livres sobre a tentativa do Governo Francês bloquear a emenda 138, que tem o objectivo de proteger a privacidade online dos cidadãos europeus, a comunidade do Programas Livres decidiu traduzir para Português o template da carta escrita pelo La Quadrature du Net, para que todos os cidadãos portugueses interessados em proteger a sua privacidade na internet a possam enviar aos seus representantes do Parlamento Europeu. A tradução da carta pode ser descarregada, clicando aqui.

Abaixo ficam os contactos dos MEPs e outros representantes portugueses. Para já, temos apenas um, mas contamos inserir mais. Se quiserem usem e/ou adaptem a nossa tradução do template escrito pelo La Quadrature du Net e enviem-na, por carta ou email, aos nossos representantes no Parlamento Europeu. Não se esqueçam que, sendo nossos representantes, têm que defender a nossa vontade e os nossos direitos.

BARTOLO, Pedro Nuno
Minister Plenipotentiary
Deputy Permanent Representative of Portugal
Avenue de Cortenberg 12-22
B-1040 Bruxelles
Tel: (32-2) 286 42 11
Fax: 231 00 26
Email: reper@reper-portugal.be

Manuel Pinho
Ministro da Economia e Inovação
Morada: Rua da Horta Seca – 1200-221 Lisboa
Tel.: 213 245 400
Fax: 213 245 440
Email: gmei@mei.gov.pt

Fernando Serrasqueiro
Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor
Morada: Rua da Horta Seca – 1200-221 Lisboa
Tel.: 213 245 400
Fax: 213 245 460
Email: gsecsdc@mei.gov.pt

António Castro Guerra
Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e da Inovação
Morada: Rua da Horta Seca – 1200-221 Lisboa
Tel.: 213 245 400
Fax: 213 245 450
Email: seaii@mei.gov.pt

Se esta emenda for retirada, a indústria de entretenimento passa a ter autoridade legal para obrigar o vosso ISP a cortar-vos o acesso à internet, sem provas e sem necessidade de um processo judicial. Basta eles quererem e vocês, ao fim de três acusações – sem necessidade de provas – ficam sem internet. Parece surreal, mas é um risco bastante real!

O fim desta emenda que protege a privacidade online é o que defendo um movimento, criado pela ACAPOR, chamado MAPiNET. Eles afirmam ser um movimento cívico, mas na realidade são os interessados em poder cortar-vos o acesso à net sem provas. Não vão na cantiga deles, porque eles não contam a história toda.

Trabalhadores processam empregadores por usarem Windows Vista

Nos Estados Unidos da América, vários trabalhadores que recebem à hora estão a processar os seus empregadores devido ao tempo que o Windows Millenium 2.0, vulgo Windows Vista, demora a fazer boot e a desligar.

De acordo com um dos representantes destes trabalhadores, o advogado Mark Thiernman, os trabalhadores perdem até duas horas de ordenado todas as semanas devido ao tempo que o Windows Vista demora até se fazer login. A entrada ao trabalho destes trabalhadores só é contabilizada quando fazem login, e como o ME 2.0 é, de acordo com estes trabalhadores, lento como o raio, eles tão no local de trabalho mas não estão oficialmente a trabalhar.

O mesmo se passa quando estão a desligar o computador. O tempo que têm que esperar até o computador estar desligado não é contabilizado, logo é dinheiro que não recebem.

Aposto que estes trabalhadores estão à espera que o 7 do Windows seja um número da sorte para eles e não para os seus empregadores. Mas se a tradição se mantiver, vai ser um número de azar para eles.

{via The Register}

Kobo Deluxe – o meu novo vício

Há muito tempo que não me sinto muito atraído pelos jogos, mas de vez em quando lá vou jogando um ou outro só para relembrar os velhos tempos. O último que tenho jogado chama-se Kobo Deluxe (versão 0.5.1), um jogo 2D viciante como o raio. Este jogo está disponível para uma série de sistemas, desde o GNU/Linux ao FreeBSD, passando por uns quantos sistemas nocivos/proprietários conhecidos, e até para o OpenMoko, Palm OS e outros dispositivos móveis.

Pode não ter uns gráficos todos 3D xpto, mas acreditem que ele é bastante difícil. Quando começarem a ver uma miríade de bolas de energia, asteróides, mísseis e naves a virem direitos a vocês, tudo ao mesmo tempo, vão ver o exercício de dedos que têm que fazer para se conseguirem desviar de tudo e rebentar as naves e mísseis. E não se preocupem com a falta de níveis, porque pelo menos 48 deles há – o máximo onde cheguei.

Uma particularidade interessante deste jogo é não voltarmos ao início sempre que perdemos as vidas. Se isso acontecesse, com a dificuldade de alguns níveis, acho que nunca tinha chegado onde cheguei.

Eu até classificaria este jogo de time waster, mas ele é tudo menos uma perda de tempo. Recomendo-o a quem quer passar umas boas horas aos tiros e a rebentar coisas. É um dos poucos que tenho instalado e estou bastante viciado nele.

Para além do contentamento de jogar um jogo tão porreiro como este, preparem-se para alguns momentos de stress. Hão-de apanhar alguns níveis onde vão perder várias vezes até os conseguirem passar. Mas não se preocupem, porque normalmente um nível fácil vem depois desses, e aí já podem aliviar o stress – podem sempre partir o teclado, mas isso já fica ao vosso critério.

Este post foi inicialmente publicado no meu blog pessoal. Mas como eu curti tanto o jogo, decidi replicá-lo aqui para que também possam ficar a conhecer e jogar este jogo.

OLPC: XO com GNU/Linux vai ser vendido na Amazon

Durante uns tempos, pouco se ouviu ou leu sobre o projecto OLPC. Uma das razões para isso foi o fraco sucesso do programa «give one, get one», que apenas contemplava os Estados Unidos da América, em que um cliente comprava um destes netbooks e metade desse valor era usado para enviar um netbook para uma criança de um país em vias de desenvolvimento.

Entretanto, o projecto procurou novas estratégias e parcerias. A Amazon mostrou interesse e o anúncio da parceria não tardou. Hoje, ficamos a saber que a Amazon vai iniciar a comercialização do XO – apenas o modelo com GNU/Linux – já no próximo dia 17, num programa semelhante ao «give one, get one», mas que também abrange os países europeus (sim, Portugal incluído): o cliente paga 400 dólares americanos (mais ou menos 321.36 euros) e metade desse valor é usado para enviar um XO a uma criança de um país em vias de desenvolvimento.

Para enviar os XO às crianças, uma outra parceria foi feita, esta com a International Telecommunication Union.

A venda do XO na Amazon não é a única novidade deste projecto. De acordo com o site pcworld.com, o XO deverá receber uma actualização ao hardware no primeiro trimestre de 2009. Mais memória RAM, mais espaço para armazenamento, um processador mais rápido e um novo receptor wireless deverão fazer parte do XO-1 Gen 1.5, o nome de código da possível nova versão do XO.

{via Desktop Linux}

Ubuntu 8.10

Bem, o Ubuntu 8.10 saiu e não fui bombardeado com um tsunami de posts sobre isso. Que se terá passado? Bem, o que se passou não sei, sei é que vou dar o meu contributo para esse bombardeamento de posts.

Intrepid Ibex é a mais recente versão do Ubuntu, esta popular distribuição do GNU/Linux. Para além do Ubuntu, os restantes membros da família *buntu, Kubuntu, Xubuntu, Edubuntu e UbuntuStudio atingiram uma nova versão.

A grande novidade do Ubuntu 8.10 é, talvez, o novo tema. Eu já vi alguns screenshots deste novo tema e, pessoalmente, acho-o bem mais agradável que o anteior. Outra novidade é o uso do GNOME 2.24, que traz consigo separadores para o Nautilus – algo que pode ser bastante útil se estiver bem feito.

No Kubuntu, destaca-se a inclusão do KDE 4.1.2. No Xubuntu vão encontrar novamente o Xfce 4.4.2. O UbuntuStudio 8.10 é o Ubuntu normal com mais uns “pozinhos” para o tornar uma distribuição virada para a criação de conteúdos multimédia.

Se usam um *buntu e não estão certos em relação à actualização, talvez seja melhor aguardarem um pouco e irem lendo algumas análises ao *buntu que pretendem usar. Se quiserem passar a utilizar a mais recente versão, vejam como podem actualizar o Ubuntu 8.04 para o 8.10 ou descarreguem uma imagem da distribuição.

Download:
Ubuntu 8.10 (bittorrent)
Kubuntu 8.10 (bittorrent)
UbuntuStudio 8.10 (bittorrent)
Xubuntu 8.10 (bittorrent)
Edubuntu (bittorrent)