|
"A vida é breve" reconstitui o interior das Torres Gémeas
Vários portugueses estão no segundo andar das Torres Gémeas quando os aviões embatem nelas, desfazendo--as em pouco tempo, naquele que foi o atentado terrorista mais marcante da actualidade. Em Portugal, a sua família via televisão e assistiu em directo à queda vertical dos prédios.
Foi mais ou menos nestes termos que Rui Vilhena, autor de "A vida é breve", descreveu o início da próxima novela da TVI, cuja estreia está agendada para a segunda quinzena de Junho, informou ontem a estação. "São imagens marcantes, acabei de as ver e posso garantir que são de arrepiar", disse .
Para fazer a cena, a produção NBP construiu um palco especial a um metro do chão, erguendo uma estrutura suspensa e baloiçante, através da qual se recriou o choque provocado pela entrada dos aviões nas paredes do edifício. Rui Vilhena, o autor do êxito "Ninguém como tu", conta que mesmo o interior das Torres Gémeas não é um cenário casual. Houve a preocupação de "reconstituir fielmente os escritórios por dentro". Fez-se uma equipa para fazer essa pesquisa.
A acção da novela desenrola-se, porém, na actualidade, no ano de 2006, embora muitos dos mistérios estejam relacionados com os atentados de 2001. O guionista introduziu a catástrofe na ficção por causa da sua carga dramática. "Afinal, foi um dia que marcou as pessoas, a que ninguém ficou indiferente, teve impacto na nossa vida".
A produção não chegou a deslocar-se a Nova Iorque para gravar, mas já o fez para filmar na Tailândia, onde esteve uma equipa durante 15 dias. Rui Vilhena já viu o material recolhido e disse ter ficado impressionado. "Fizeram imagens de cinema, dignas de Bernardo Bertolucci".
A NBP tem vindo a começar a novelas com cenas filmadas no estrangeiro, o que testemunha o investimento na produção. Em "Dei-te quase tudo" gravou em Angola. "O local eleito desta novela está ligado à história nuclear relacionada com o negócio de jóias. "A vida é breve" relata as peripécias do melhor joalheiro do país, e daí que parte da acção se passe entre Cascais e Quinta da Marinha, locais frequentados pelos mais abonados da região de Lisboa.
Quanto às personagens, à sua construção, o autor explica que serão tratados os desejos do ser humano e as suas consequentes frustrações. Por isso, tal como já acontecia em "Ninguém como tu", sobressaem sentimentos como a inveja, a cobiça. "Quero ter um carro como o do vizinho", exemplifica. Também à semelhança do produto anterior, será ao redor da personagem de Alexandra Lencastre que a espiral de histórias se desenvolve. "Fátima", o seu nome, será a figura central.
Em "Ninguém como tu", Rui Vilhena tratou da cleptomania e a homossexualidade. Em "A vida é breve" virão à baila o "swing", troca de casais, e a bissexualidade. A respeito da troca de casais, Rui Vilhena pretende "mostrar o outro lado dessa prática, as motivações, o universo que é desconhecido para a maioria das pessoas, tornando-o mais compreensível". A bissexualidade segue um tratamento semelhante, investindo-se sobretudo na luta contra o preconceito. As suas histórias, assume, são urbanas e contemporâneas - o mais actuais possível.
in Jornal de Notícias
--------------------
|