Aproveitando que eu falei no meu último post sobre Xgl e KDE 4 eu gostaria de compartilhar com vocês uma ansiedade minha. Como usuário do KDE eu fico esperando pela próxima versão do ambiente, assim como os usuários de Gnome ficam por aquele ambiente, de forma um pouco exaltada. O hábito de rodar pela web buscando informações sobre que funcionalidades estarão disponíveis é prazeroso e preenche o tempo enquanto a versão 4 não sai.
Lendo sobre o KDE 4 na wikipedia vejo que algumas coisas irão cumprir lacunas do KDE em relação à outros ambientes, como o sistema de busca e idexação (?) Tenor. Outras serão modificações bem-vindas no funcionamento do sistema como um todo, como a nova interface para áudio e multi-mídia Phonon. E outras mudanças chamam a atenção por serem modificações conceituais tão profundas quanto interessantes. Nessa última categoria há algo que chama muito a atenção: suporte nativo das bibliotecas base do KDE 4 à outros sistemas operacionais (leia-se Windows e MacOS X).
Já havia lido sobre a independência da base do KDE 4 em relação ao X11 e como isso permitiria portar facilmente programas KDE e mesmo o ambiente todo para outros servidores gráficos. Já havia recebido de Helio Castro, contato oficial do projeto KDE no Brasil e na América Latina, explicações detalhadas sobre como isso iria funcionar e o que significava para o projeto KDE essa independência, mas confesso que a ficha ainda não havia caído por completo.
Isso significa que aplicações escritas para o KDE 4 (edificadas sobre a Qt 4) são mais portáveis. Tão portáveis que é possível escrever aplicações para shell usando a Qt (embora para mim as vantagens disso em detrimento ao uso de outros métodos não sejam tão claras). Mas mais que isso, significa que o KDE 4 poderá rodar (com poucas ou nenhuma modificação) sobre o Windows e o MacOS X. E sobre ele quaisquer aplicações escritas para o Qt 4 também poderão rodar em várias plataformas com (praticamente) o mesmo código fonte.
Isso significa que a mesma interface que um usuário tem no Linux poderá estar presente no Windows, ou no MacOS X. Significa que o mesmo programa que você usa em um sistema poderá usar em outro. E, a grande vantagem, desenvolvedores terão menores dificuldades para escrever softwares multi-plataforma.
Para o Windows isso pode significar uma alternativa ao Aero/Aeroglass que use menos recursos de hardware e permita usar uma interface mais moderna e com mais recursos em um PC menos poderoso. Já que segundo o Jon Peddie Research apenas 12% dos PCs do mundo poderão aproveitar todas as capacidades da nova interface gráfica da MS no final de 2007 (!). Como quase metade dos computadores do mundo ao final daquele mesmo ano serão incapazes de sequer rodar o Windows Vista, segundo o mesmo estudo, atualizar o Windows XP com o KDE 4 pode ser a única alternativa de colocar os olhos sobre uma interface mais nova para boa parte dos usuários. E eles poderão fazer isso sem passar pelo caminho de ter que aprender a usar outro sistema operacional para isso. Nesse ponto devemos prestar atenção se o acesso à uma interface mais poderosa e moderna e livre sobre um sistema operacional proprietário não irá atrapalhar um pouco os planos de penetração dos sistemas livres no mercado. Mas mesmo que isso ocorra não deixa de ser uma espécie de triunfo do software livre.
O outro lado da questão é que com uma interface, e um toolkit de desenvolvimento, multi-plataforma pode ser que muitos desenvolvedores que ainda não colocaram os pés no mundo do pingüim decidam fazê-lo. A disponibilidade da Qt 4 e do KDE 4 para Windows pode criar um ambiente propício para que consagradas aplicações Windows sejam portadas para UNIX/Linux. Usando uma biblioteca unificada boa parte das dificuldades de desenvolver software multi-plataforma desaparecem. E pode ser esse estímulo crucial para que o número de migrações para UNIX/Linux aumentem ainda mais.
Somando a isso o Xgl, layer 3D do servidor X11 desenvolvido pela equipe do X.org temos um panorama onde as interfaces dos ambientes Linux serão tão ricas em recursos quando a do MacOS X, ou até mais! A medida que as distros incluírem o X.org 7 ou 7.1 em seus sistemas e que os drivers de vídeo sejam aperfeiçoados pelos seus fabricantes (principalmente ATI e nVidia) mais recursos visuais e funcionais poderão ser incluídos nas interfaces para Linux. Os ícones SVG Oxygen do KDE 4 e outras peças da interface do ambiente são candidatos perfeitos para o uso com Xgl. Efeitos e performance prometidos para a interface AeroGlass do Vista já são realidade no Linux. Coisas que os usuários de sistemas da MS ainda esperarão alguns meses para observar em funcionamento já podem ser vistas por qualquer usuário Linux.
Sim, eu sei que o Beta2 do Vista tem o AeroGlass, mas quem aí baixaria um sistema Beta para ver essa interface. Ou melhor, quem aí com máquina poderosa o bastante para rodar a nova interface do Vista na plenitude já baixou o beta2 do Vista e colocou o mesmo em operação? Eu já teste o Xgl aqui em um notebook e ainda estou babando, pena que o ambiente era Gnome :-P
Eu baixei e testei o Live CD Xgl Kororaa e fiquei impressionado com a suavidade, performance e beleza de uma interface Xgl rodando, bem aqui, diante dos meus olhos. E garanto que ver screenshots é bem menos interessante. Se você tem uma placa de vídeo com 64MB de memória baixe o Live CD e teste você mesmo. Eu testei o Xgl em uma máquina que será incapaz de rodar o Vista AeroGlass segundo os specs oficiais da MS e fiquei agraciado com o desempenho.
O KDE 4 tem um preview técnico público em Outubro próximo, será a oportunidade para que mais informações e dados sejam passados para a comunidade em geral. Ao menos para aqueles que não podem acompanhar as listas de desenvolvimento e compilar suas próprias versões do KDE. Poderemos então imaginar quanto tempo mais levará para que a versão 4 saia do forno para as ruas. Com Xgl as interfaces Linux serão tão ricas em recursos e qualidade gráfica quanto as de outros sistemas. Qualquer usuário de outras plataformas ficará pasmo ao ver um KDE 4 com Xgl rodar, principalmente quando souber sobre qual hardware aquela interface roda. MacOS X e Windows Vista terão interfaces bonitas e cheias de recursos, a grande diferença é que nossa interface precisará de hardware mais fraco (ou mais barato) para rodar.
Fonte:
http://falcon-dark.blogspot.com/2006/07/li...esperar-do.html