Saints Row
Uma cidade violenta!
Na indústria dos videojogos cada género tem uma referência, sendo cada título “do género de…” ou “um clone de…”. Parece uma ideia injusta para qualquer jogo que seja produzido e tente figurar nos melhores, mas a verdade é esta. Grand Theft Auto é um dos exemplos desta situação. Sempre que um jogo é produzido oferecendo ao jogador uma experiência numa cidade enorme, livre de fazer o que lhe apetecer e completar as missões pela ordem que mais deseje, é de imediato comparado ao título da Rockstar. Isto acontece em muitos outros géneros numa “cadeia alimentar” simples - o melhor toma o lugar da referência. Foi assim com PES que superou FIFA, e Call of Duty que simplesmente engoliu Medal of Honor.
Com isto, quero dizer que ao longo dos últimos anos muitos jogos tentaram fazer um assalto ao género cimentado pela Rockstar, que apesar de terem qualidade não conseguiram superar GTA por alguns factores básicos: longevidade, abertura à comunidade para a produção de mods e principalmente pelo imensa quantidade de coisas a fazer, veículos a conduzir, etc. A Xbox 360, apesar de receber em estreia o quarto jogo da galardoada série, irá ter em breve um “clone” bem interessante. Trata-se de Saints Row, uma produção da Volition (Red Faction) para a THQ.
Ao olharmos para este jogo, numa versão que recebemos bem próxima da final, não podemos deixar de fazer tal comparação, como seria óbvio, mas não no sentido negativo, pelo contrário. Por aquilo que vimos, Saints Row tem muito para oferecer aos jogadores que gostam deste estilo gangsta de jogos, onde perdura o material adulto. Adivinha-se, claro, um selo para maiores de 18 para este jogo. Se Saints Row se inspira em GTA, oferecendo os seus melhores aspectos, acreditamos que também oferecerá novas ideias, além de que se trata um dos primeiros jogos do género na nova geração de consolas. Não lhe faltam assim alguns detalhes muito interessantes, como um formato multiplayer assumidamente sendo um dos pontos-chave deste título.
O primeiro contacto com o jogo oferece-nos a possibilidade de produzir a nossa personagem, recorrendo a um poderoso editor de imagem. Com esta ferramenta dificilmente encontrarão uma personagem igual à vossa, pois podem mexer desde a curva do nariz ao ângulo da boca. Para esta versão produzi a personagem mais feia que consegui, um autêntico “chunga bad ass”.
O jogo remete-nos de seguida para uma metrópole urbana fictícia de nome Stillwater, sendo o mote da história a supremacia do gang que escolhemos entre os rivais. Ao todo são quatro gangs - Third Street Saints, Carnales, Vice Kings e West Side Rollers -, seja aquela que escolherem, o objectivo é o mesmo, mas cada uma com uma história e um aspecto distinto. Na verdade a história começa com o gang em decadência e seremos nós que temos de dar a volta ao contexto.
Nesta versão resolvi aliar-me aos Third Street Saints, um gang apoiado numa vertente religiosa. O líder do gang é uma espécie de padre e a sua sede é um santuário. Somos assim levados para a rua, gerando tudo à volta do respeito. Conseguir ganhar respeito será essencial para acederem às missões que dão continuidade à história, e para o conseguirem terão de fazer essencialmente duas coisas: entrar nas diversas actividades espalhadas pela cidade, ou simplesmente atacar membros dos gangs rivais. Tal como devem calcular, teremos total liberdade para executar as missões ou passear pela cidade, roubar carros, atacar transeuntes, entrar nas lojas para comprar roupas e armas, entre muitos outros aspectos.
Como seria de esperar, as actividades passam por levar cães das pessoas a passear ao jardim ou tomar conta de bebés… Esperem, jogo errado. Aqui não há lugar para mariquinhas e todas as actividades irão pôr o nosso amigo Jack Thompson de cabelos no ar. Tráfico de armas e droga, fazer de proxeneta (roubando prostitutas aos rivais), corridas ilegais nas ruas, tornarmo-nos num franco-atirador e eliminar certos alvos, raptar pessoas ou causar o caos geral são apenas algumas das possibilidades. Interessante a fraude nas seguradoras, permitindo-nos adquirir apólices de seguro de vida e depois andar a cometer desastres, como mandarmo-nos para a frente de um carro ou fazer acrobacias perigosas e ver o dinheiro a entrar.
É preciso ter atenção à barra de notoriedade, algo que é mau, como sabem. Esta funciona não só para meter a polícia em alerta, mas também para os gangs rivais que nos querem fazer a folha. Para se livrarem da fama terão de entrar em locais próprios e fazer decrescer a lembrança de nós. O jogo contém um útil mapa da cidade, assinalando todos os pontos importantes das missões, safe houses (para poderem guardar as vossas coisas e gravar a posição) e actividades. Poderão recorrer a filtros para assinalar aquilo que querem, sendo possível também estabelecer o vosso próprio caminho para os locais do mapa, e terem-no assinalado no radar.
A cidade está cheia de viaturas das mais variadas espécies, permitindo-nos coleccionar algumas bombas. A sua condução varia em cada modelo, mas pelo que pude constatar parece-nos que a jogabilidade está já bastante afinada, com os carros a responderem bem aos controlos, além de serem bem detalhados (e altamente destrutíveis). A cidade tem bastante vida, com os carros a circularem, fazendo pisca para virar de direcção e cumprindo as regras de trânsito, pessoas a apanharem táxis, mas ao mesmo tempo altamente influenciáveis com a nossa interacção. É divertido ver o pânico que conseguimos causar no local e ver as pessoas a fugirem, tropeçando pelo caminho.
A jogabilidade é muito simples, para quem já tomou contacto com o género. Os gatilhos são usados como cada um dos punhos (quando estamos desarmados), ao passo que o LB dá pontapés. O analógico direito controla a câmara, principalmente a mira nos combates armados ou quando disparamos das viaturas. De forma bem simples podemos recrutar membros do gang para se aliarem a nós, tornando a acção mais intensa e interessante.
Um aspecto que apreciei bastante foi a física presente no jogo. Engraçado o facto de podermos andar à “biqueirada” a tudo quanto é objecto, tendo mesmo chegado a jogar futebol com um saco de lixo. E dar pontapés no rabo às mulheres que passam na rua, como quem diz “já para casa fazer o jantar”! Apanhei uma carrinha de um redneck, que transportava umas tábuas atrás. Interessante observar que estas tinham um comportamento independente, chocalhando consoante a nossa condução.
Os gráficos parecem bem detalhados, tanto nas animações e aspecto das personagens, como nos pormenores gerais de uma cidade. O raio de visão é longo, permitindo-nos ver ao longe um comboio, por exemplo. Outro facto interessante é que não existem quebras de ritmo entre interiores e exteriores, permitindo-nos ver de dentro de um edifício a azáfama da rua. Além disso, existem missões que envolvem alternâncias entre interiores e exteriores, sem darmos por qualquer carregamento. Apenas durante as missões o jogo pára para carregar.
Tal como em GTA poderão mudar as estações de rádio dos carros e ouvir diversas frequências. Podem comprar um leitor de MP3 numa loja e usá-lo para aceder aos vossos próprios ficheiros de música, que tenham no disco rígido da consola. Para garantir que a história fosse bem credível, a THQ contratou os serviços de alguns actores bem conhecidos de Hollywood, uma prática corrente no género. Esperem assim a participação de David Carradine (Kung Fu, Kill Bill vol.2), Michael Clarke Duncan (Green Mile, Dare Devil), Keith David (Pitch Black, Chronicles of Riddick), Tia Carrere (Wayne's World 2), Daniel Dae Kim (Lost), Clancy Brown (Lost, Highlander), e entre muitos outros nomes, o nosso Joaquim de Almeida.
Não pudemos experimentar nesta versão, mas o jogo terá suporte multiplayer. Não só missões cooperativas, mas também vários tipos de jogo em equipas ou em formato solo. Deixarei para a versão final a análise a este aspecto. Podem no entanto consultar aquilo que nos espera deste aspecto aqui.
Não há dúvida que este Saints Row promete. Não só pelo facto de se assemelhar em muitos aspectos ao famoso GTA, mas porque parece estar bem planeado. Poderia continuar a falar em muitos outros aspectos, mas deixarei isso para a versão completa, prevista para Setembro, se tudo correr bem.
in PTGamers