Guerra Santa

Todos têm uma fé. Uns acreditam em Delphi, outros em Java. Há ainda os discípulos de C, de Visual Basic, HTML e outras tantas igrejas menores. São programadores, mas poderiam muito bem ser chamados de pastores.

Jamais duvide da linguagem preferida de um programador. Pode ser o caminho mais curto para a fogueira da Guerra Santa Virtual.

Como não podia deixar de ser, também cultivei a minha religião. Ainda brincava com BASIC, sem fazer nada de importante, quando conheci o Pascal. Um amigo baixara algumas apostilas de um BBS – ainda não se acedia à Internet – e assim que li fiquei convertido.

Pela primeira vez na vida vi uma linguagem estruturada. Tudo muito lógico, restrito e, ao mesmo tempo, flexível. Talvez não tão eficiente quanto o todo poderoso C, que conhecia de fama, mas muito mais eficaz que o BASIC e perfeita para a correcta aprendizagem da programação.

Devorei os tutoriais todos e em questão de dias já fazia programas em Pascal que nunca conseguira fazer em BASIC.

Convertido, jurei nunca mais usar “goto” e sempre adorar a estrutura perfeita das constantes, variáveis e sub-rotinas, organizadas e declaradas previamente, Já havia versões estruturadas de BASIC por aí, mas sempre era possível numerar as linhas e desviar o programa usando “goto”, uma verdadeira blasfêmia a ser evitada.

Veio então a interface gráfica, e o computador ficava cada vez mais acessível aos impuros e infiéis humanos normais. Apanhei o comboio um pouco tarde, quando Windows 95 já se firmava como padrão de mercado e comecei a desenvolver em Delphi, que era baseado em Pascal. Percebi, porém, que apesar da minha firme convicção, as linguagens ditas inferiores não desapareciam. Pior.

Percebi que era possível sim, desenvolver programas bons até mesmo em Visual Basic. Minha fé perdera o sentido de ser.

Pode ser difícil de admitir, mas a sua linguagem de programação preferida, assim como a sua equipa de futebol, não ganha sempre. A evolução, já dizia Darwin, depende da selecção natural e da diversidade. Não importa o quanto se batalhe e dicuta, haverá sempre  alguém fazendo um programa melhor que o seu, na linguagem que você mais odeia. E não adianta nada deita-lo na fogueira.

Tentaram esse método há uns mil anos atrás e não deu certo.


resolvi partilhar com vocês esta cronica da revista PC Master (Ano 5, Edição 51, Por Leandro Calçada). O texto demonstra na perfeição a realidade… todos nós (programadores) por uma razão ou por outra gostamos mais de uma linguagem de programação e conscientes da nossa convicção defendemos-la até ao fim, quem diz linguagens de programação, diz sistemas operativos… somos todos seguidores de alguma coisa.

Eu digo, ainda bem que não concordamos em tudo e ainda bem que existe alternativas e concorrência.

Darwin tinha razão, a evolução depende da selecção natural e da diversidade… será sempre assim…

Bom fim de semana, Cumprimentos

7 thoughts on “Guerra Santa

  1. Está giro sim senhor, a minha linguagem é definitivamente o PHP :) mas programo em muitas outras linguagens com regularidade como C, Bash Scripting, JavaScript, e ultimamente também tenho programado umas coisas em Java, que tenho aprendido a gostar, mas não quero “abusar” dado que (ainda) não é opensource :)

    Cumprimentos

  2. Brutal artigo !!!
    Eu por mim ainda só aprendi C e Java quando vi para a universidade, quanto a preferências não consigo gostar mais de uma do que outra, ou seja C e o Java têm as suas “manias” de arquitectar algoritmos, mas sem duvida as duas complementam-se.
    É daquelas coisas primeiro estranhasse e depois entranhasse.

  3. Eu gostava muito de PHP mas depois de descobrir Ruby não quero outra coisa. Também utilizo bastante Java e C. Haskell é que não gosto assim tanto..

  4. As linguagens quanto mais baixo nível são, mais chatas são… (opinião pessoal)

    Ainda bem que gostaram do artigo, podem pedir ou sugerir artigos sobre um determinado tema na zona de comentários dos meus posts…

    Ultimo post no blog do Spec: A arte robótica de Leonel Moura

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